Realidade Virtual e Realidade Aumentada: semelhanças e diferenças

Muito se fala, hoje em dia, sobre realidade virtual e realidade aumentada. Mas você sabe quais as principais semelhanças e diferenças entre elas, conhece os principais produtos deste promissor mercado? Apesar de ambas as tecnologias terem como característica básica a alteração da percepção sensorial de nossos órgãos, principalmente a visão e audição, a diferença entre elas se dá pela mediação, pela forma como ocorre essa experiência.

Os aparelhos de realidade virtual (VR, sigla em inglês), por meio de headsets, cobrem boa parte do rosto, impedindo que os estímulos visuais e auditivos externos sejam percebidos, propiciando uma experiência de imersão total num mundo mediado. Resumindo, o mundo externo é totalmente substituído pelo mundo virtual.

Já nos aparelhos de realidade aumentada (AR, sigla em inglês), o princípio é um pouco diferente, já que o que ocorre é uma justaposição, uma mescla de estímulos do mundo real e do mundo virtual. Não há a imersão plena num outro ambiente, mas a coexistência de ambos os mundos. Podemos citar como exemplos os óculos inteligentes, que possuem lentes que permitem perceber o ambiente real e, simultaneamente, também projeta imagens virtuais.

Outro exemplo de AR, este mais conhecido e disseminado, é o jogo Pokemon Go, lançado em 2016, e que se tornou uma verdadeira febre ao permitir, por meio da tela do celular, a mescla do real e do virtual. Esse brave new world, que ainda se apresenta de forma tímida, certamente propiciará uma série de alterações na forma como nos relacionamos, e revolucionará não apenas o entretenimento, mas também diversas outras áreas do conhecimento humano, como a medicina, por exemplo.

Neste sentido, Mark Metry, fundador de uma agência que atua na comercialização de produtos inovadores de AR e VR desenvolvidos por startups, fez 5 interessantes previsões sobre o futuro deste mercado:

1 – Popularização dos headsets de VR

Apesar de o preço ainda ser o principal fator impeditivo da proliferação e capilaridade dos headsets de VR, a tendência é que com a massificação da produção essa tecnologia ganhe novos adeptos. Além do mais, os novos dispositivos de VR estão apostando em processadores autônomos, que não dependem do pareamento com um computador ou smartphone potente, o que barateia os custos.

Um bom exemplo é o Óculos Go, do Facebook, que tende a ser comercializado por um preço acessível e promete abrir muitas portas.Destaque também para o Mi Vr, da empresa chinesa Xiaomi, que possui basicamente o mesmo design e processador que o modelo desenvolvido, pelo Facebook, com valor de comercialização bastante similar, algo em torno de duzentos dólares.

2 – O crescimento da AR será um verdadeiro fermento para a realidade virtual

A realidade aumentada é uma irmã da indústria da realidade virtual, nascidas e criadas basicamente juntas. Apesar de as estatísticas apontarem que, em 2023, a realidade aumentada será muito maior que a realidade virtual, a tecnologias baseadas em VR também devem apresentar crescimento substancial.

Há quem considere que o crescimento da VR esbarre em algumas limitações, como o seu uso em ambientes públicos, já impossibilitaria a realização de atividades “paralelas” no mundo real, quando da imersão no ambiente virtual. E realmente é difícil imaginar alguém usando um headset no meio de uma movimentada rua de São Paulo, no volante de um carro etc.

No entanto, para Mark Metry, essa é uma visão estreita do uso da Realidade Virtual, já que atualmente existem tecnologias que fazem essa mediação entre o VR e o AR, a chamada Realidade Mista ou híbrida, misturando elementos da imersão no ambiente virtual com a possibilidade de interação com o ambiente real.

Para ele, a tendência é que o VR saia dos nichos restritos que se encontra atualmente, e ganhe espaço no mainstream, já que será capaz de fornecer experiências muito mais intensas, complexas e interativas. Uma das apostas do especialista é o dispositivo que está sendo desenvolvido pela startup Magic Leap, que deve ser disponibilizado para os desenvolvedores ainda neste ano, e que promete combinar de forma plena tanto a AR quanto o VR.

3 – Experiências ilimitadas ainda não exploradas

Para Metry, o fato de as tecnologias de Realidade Virtual e de Realidade Aumentada serem subutilizadas atualmente não significa que essa será a toada nos próximos 5 anos.

Ele pontua elementos de uma conversa que teve com Jay Samit, um grande influenciador no mundo da Realidade Mista, e lembra que quando o iPhone foi lançado, ninguém tinha ideia de toda a potencialidade e vastidão de utilidades do dispositivo.

Ele rememora que, de início, os aplicativos disponíveis para download no smartphone eram em sua vasta maioria um monte de quinquilharias, com pouco ou nenhuma função, mas que hoje a realidade é bem diferente.

Atualmente, o desenvolvimento da Realidade Virtual ainda esbarra na questão da capacidade de processamento de dados, de uma questão de hardware, mas para ele, a VR deve ser tomada como uma ideia quase que onírica, cuja única limitação, em breve, talvez seja apenas a nossa própria imaginação.

Para Metry, um dos exemplos mais fascinantes da possibilidade de emprego da VR é o software médico desenvolvido pela empresa GE Healthcare, que permite ao médico realizar uma verdadeira imersão no corpo do paciente. Ao navegar pelos órgãos internos, é possível detectar pólipos e tumores, o que torna o dispositivo uma importantíssima ferramenta diagnóstica para radiologistas, médicos e cirurgiões, proporcionando a possibilidade de tratamentos menos invasivos e de forma muito mais eficaz e efetiva.

4 – A tecnologia 5G trará novas possibilidades

Segundo o especialista, o advento e disseminação das redes 5G revolucionará a forma como utilizaremos as tecnologias de AR/VR.

Esse tipo de conexão permitirá que novos produtos de AR/VR, que demandem maior qualidade de dados, possam ser desenvolvidos para os dispositivos móveis, já que com uma velocidade ainda maior de conexão, haverá menores atrasos no envio e recebimento de pacotes de dados.

Além do mais, o aumento da disponibilidade de torres de celulares também permitirá que um maior número de usuários possa se conectar ao mesmo tempo, sem haja redução na performance de desempenho da rede.

5 –  Criação de novos protocolos universais para desenvolvedores

Assim como ocorreu com o desenvolvimento da internet, a tendência é que a indústria de AR/VR busque protocolos universais e plataformas unificadas de linguagem de programação.

Diversas iniciativas e grupos de trabalho, como o Virtual Reality Industry Forum, o VRARA, o IEEE e o VRSB, desenvolvem atualmente pesquisas de forma sinérgica, com o intuito de criar interfaces, padrões de qualidade e formatos de arquivos universais, o que facilitará o acesso e incorporação destes frameworks por novos desenvolvedores.